Estudo não relaciona perda de audição com uso de auscultadores
Análise com dados de jovens dos Estados Unidos, recolhidos durante 22 anos, não estabelece correlação direta entre a exposição a música alta e a perda auditiva.
Embora tenha havido um aumento na percentagem de jovens dos EUA, dos 12 aos 19 anos, expostos a música alta através de auscultadores, entre 1988 e 2010, os pesquisadores não encontraram mudanças significativas na prevalência de perda auditiva nesse grupo, de acordo com um estudo publicado no jornal ‘JAMA Otorrinolaringologia – Cirurgia de Cabeça e Pescoço’.
Tem havido preocupações crescentes de que a prevalência de perda auditiva em crianças e adolescentes, particularmente a perda auditiva induzida por ruído, está a aumentar, possivelmente devido à exposição recreativa ao ruído.
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Este foi o mote para Brooke Su e Dylan Chan, investigadores da Universidade da Califórnia-San Francisco, realizarem uma análise aos dados demográficos e audiométricos de pesquisas nacionais sobre exames de saúde e nutrição (NHANES III, 1988-1994, NHANES 2005-2006, NHANES 2007-2008 e NHANES 2009-2010. Os NHANES são conjuntos de dados de inquéritos representativos a nível nacional, recolhidos e geridos pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos EUA. Este estudo incluiu um total de 7.036 entrevistados, dos 12 aos 19 anos, com medidas audiométricas disponíveis.
Os autores descobriram que a prevalência de perda de audição aumentou do NHANES III para o NHANES 2007-2008 (17 por cento para 22,5 por cento), mas diminuiu no NHANES 2009-2010 para 15,2 por cento, sem uma razão significativa identificada.
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Houve um aumento geral na exposição ao ruído alto ou a música através de auscultadores 24 horas antes dos testes audiométricos. No entanto, a exposição ao ruído, prolongada ou recente, não foi consistentemente associada a um risco aumentado de perda auditiva em todas as pesquisas, revela o jornal da Associação Médica Americana em comunicado.
Os dados mais recentes da pesquisa mostraram, no entanto, aumento do risco de perda auditiva entre os participantes de origens socioeconómicas mais baixas. «Uma investigação mais aprofundada dos fatores que influenciam essas mudanças e o acompanhamento contínuo desses grupos são necessários no futuro», escrevem os autores.
Os pesquisadores observam, no entanto, que mesmo níveis leves de perda auditiva em crianças e adolescentes podem afetar os resultados educacionais. Mas valendo prevenir do que remediar.