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Homens vítimas de agressão sexual sofrem tanto como mulheres

Estudo realizado nos Estados Unidos da América desmistifica a ideia de que as mulheres que sofrem agressões sexuais ficam mais traumatizadas e marcadas para a vida do que os homens.

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Um estudo realizado pela Universidade da Florida e pela Universidade Estatal de Sam Houston desmascara uma velha teoria de que a agressão sexual não é tão emocionalmente traumática para os homens quanto para as mulheres e que não resulta em impactos emocionais semelhantes, especialmente depressão.

 

A agressão sexual é contacto sexual indesejado, incluindo violação, e é um evento traumático ligado a numerosas consequências de perturbações mentais, nomeadamente depressão, stress pós-traumático, medo, ansiedade, alcoolismo, uso de drogas ilícitas, tentativas e consumação de suicídio. Porém, apesar de existir uma extensa lista de estudos relacionados com o impacto destes eventos nas mulheres, não existe praticamente investigação sobre como a violência sexual afeta homens adultos (não encarcerados) ou como os afeta comparativamente às mulheres.

 

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Assim, recorrendo a uma amostra de 11860 adultos dos Estados Unidos (5,922 homens 5,938 mulheres), recolhida junto da base de dados do estudo nacional sobre violência nas mulheres, os pesquisadores procuraram desafiar uma teoria sociológica que explica que os homens são mais propensos a responder a agressões sexuais com raiva e a praticar atividades criminosas, enquanto as mulheres são mais propensas a responder com depressão e tristeza.

 

O objetivo do estudo, liderado por Lisa Dario, professor assistente na Faculdade de Criminologia e Justiça Criminal no Faculdade de Design e Inquérito Social da Universidade da Florida, era provar como tanto a depressão como a agressão sexual eram subestimadas, por não serem estudadas em homens adultos. A pesquisa que examina a vitimização sexual masculina foca-se predominantemente no trauma de infância. As conclusões deste estudo ajudarão a enfrentar as muitas lacunas que existem, a identificar programas de apoio apropriados para os homens e, em última instância, a remover o estigma e as barreiras que os impedem de divulgar, bem como discutir a sua experiência.

 

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«Quando começámos este estudo, pensamos que concluiríamos que as mulheres que tinham sido agredidas sexualmente exibiriam maiores valores de depressão do que os homens nas mesmas circunstancias. Eu acho que isso é provavelmente por causa de ideias antiquadas que homens e mulheres experimentam emoções de forma diferente. O que realmente descobrimos, para nossa surpresa, é que a agressão sexual é traumática, independentemente do género», explica Lisa Dario.

 

Os pesquisadores suspeitam até que é possível que os homens possam sofrer de depressão mais do que as mulheres, porque não têm os estabelecimentos sociais e os sistemas de apoio disponíveis para as mulheres e, portanto, conseguem internalizar os seus sentimentos e emoções. O que não surpreendeu Dario e a sua colega, Eryn Nicole O’Neal, professora assistente de criminologia na Universidade Estatal de Sam Houston, era que todas as vítimas de agressão sexual apresentavam maiores valores de depressão do que indivíduos que não tinham sido vítimas destes eventos durante a vida.

 

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Em 1980, os homens constituíram entre 1 a 10 por cento dos relatórios de violação recebidos em centros de crise, hospitais e salas de emergência. Em 1997, representaram entre 5 e 10 por cento de todas as violações relatadas. Mais recentemente, os resultados da Pesquisa Nacional de Vitimização de Crime mostram que homens representam cerca de 38 por cento dos crimes sexuais e incidentes de violação relatados.

 

«Não há espaço para o sexismo na pesquisa de agressão sexual [ignorando as vítimas masculinas]. Devemos chamar a atenção para uma questão que afeta os homens igualmente, especialmente se sabermos que as suas respostas emocionais negativas são tratáveis», disse Dario. «Se não forem tratadas, as vítimas de agressão sexual podem procurar outras formas de processar as suas emoções; A depressão não tratada pode levar a mecanismos negativos, como o uso de drogas», conclui.

 

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