Nova técnica permite excisão de lesões mamárias sem cirurgia
A técnica minimamente invasiva permite a remoção de lesões mamárias até 2 cm. Não está ainda a ser aplicada de forma rotineira nos hospitais portugueses, mas o Hospital de Guimarães diz que apresenta muitas vantagens: incisão reduzida da pele, sem necessidade de sutura, rapidez e a doente pode abandonar de imediato o hospital.
O Hospital da Senhora da Oliveira Guimarães (Hospital de Guimarães), através do seu Serviço de Imagiologia, realizou pela primeira vez uma excisão de lesões mamárias recorrendo a uma técnica minimamente invasiva, rápida, com uma incisão reduzida e que não necessita de sutura nem de internamento.
O procedimento, denominado de Breast Lesion Excision System, é realizado pelo médico radiologista de intervenção, sob controlo por ecografia ou mamografia, no Serviço de Imagiologia, sendo uma técnica que ainda não está a ser aplicada de forma rotineira em hospitais portugueses.
Após anestesia local da pele e em torno do nódulo, é introduzida uma sonda até à lesão. Pressionando um botão, faz-se sair da extremidade dessa sonda, cinco dentes que encapsulam a lesão e, através da emissão de ondas de radiofrequência, a removem ao mesmo tempo em que é feita uma coagulação imediata. Após dez segundos, retira-se a sonda e, simultaneamente, a lesão, explica o hospital em comunicado.
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A médica radiologista de intervenção do Hospital de Guimarães, Teresa Dionísio, sublinha que «esta técnica minimamente invasiva está formalmente aceite na remoção de lesões até 2 cm, de natureza benigna ou pré-maligna. Em lesões com aspeto imagiológico suspeito e não biopsadas previamente, marca-se o local da lesão com um clip metálico, permitindo posteriormente reconhecer a sua topografia para a eventualidade de terapêuticas adicionais serem necessárias. Nestes casos, ao substituir a biopsia convencional, é enviada para o laboratório de anatomia patológica a lesão intacta ao invés de vários fragmentos, permitindo uma melhor avaliação da mesma».
O Hospital da Senhora da Oliveira Guimarães revela que nos últimos três anos foi realizada uma média anual de 115 cirurgias para aquele tipo de lesões pelo que a nova técnica «pode reduzir boa parte destas intervenções, promovendo a redução da lista de espera e gerando poupança e eficiência».
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A nova técnica apresenta várias vantagens: fácil acessibilidade (não necessita de sala de bloco operatório nem apoio de médico anestesista), boa tolerância da doente apenas com anestesia local, a incisão reduzida da pele (apenas seis milímetros), sem necessidade de sutura, a rapidez da técnica (no total cerca de 30 minutos) e a possibilidade de a doente poder abandonar o hospital logo após o procedimento e, de seguida, retomar a sua vida normal.
O hospital refere ainda que os efeitos secundários são comparáveis aos de uma biopsia convencional, incluindo possibilidade de hematoma e/ou dor local, geralmente minimizados com a aplicação de gelo, mas na maioria dos casos estas complicações não se verificam. As primeiras doentes submetidas a este procedimento já foram entretanto reavaliadas, quatro dias depois, não se tendo verificado quaisquer complicações, acrescenta a unidade hospitalar.